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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O lobo e o cachorro



  Um lobo magro e faminto encontrou um cachorro forte e musculoso. Teve vontade de comê-lo, mas o cão mostrava não ser dos que se deixam facilmente vencer. Mudou, pois, de parecer, e tendo refletido, disse: Fico muito feliz, compadre, de vê-lo assim tão belo, e de pelo tão luzidio (lustroso), enquanto eu ando sempre magro e arrepiado. “Se fizesses o que eu faço,respondeu o dogue, viverias como vivo. Moro em uma casa em que todos me querem bem; tratam-me como um duque: e só tenho o trabalho de ladrar (latir) à noite, quando descubro ladrões. Se te agrada esse ofício, eu te apresentarei a meu dono, e, por mim recomendado, serás aceito”. O lobo não soube como agradecer.. Puseram-se a caminho. Então reparou o lobo no pescoço do dogue, e perguntou-lhe:
— O que é isto, primo? tens o pescoço esfolado,marcado..?
— Ligue não, falou o cão; de dia, para que não morda aos que entram em casa, prendem-me a uma corrente; porém de noite estou solto, e posso fazer o que me dá na cabeça.
— Então de dia estás acorrentado... Por semelhante preço não quero a tua fartura; antes livre e faminto, do que cativo e farto, disse a raposa.
MORALIDADE: Não há cômodos nem prazeres que compensem o sacrifício da liberdade.

O cão e a máscara


Procurando um osso para roer, um cão encontrou uma máscara: era formosíssima, e de cores tanto belas quanto animadas; o cão farejou-a, e reconhecendo o que era, desviou-se com desdém e pensou: a cabeça é decerto bonita, mas não tem miolos.
MORALIDADE: Sobram neste mundo cabeças bonitas, porém desmioladas que só merecem desprezo.