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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

As rãs que queriam um rei


 Amigas de novidade, quiseram um dia as rãs ter seu rei, e pediram-no a Júpiter. Júpiter, benigno a seus desejos, atirou ao charco em que viviam um pedaço de pau. Com o baque a água estremeceu, e as rãs, cheias de pavor, esconderam-se no fundo mais fundo, no lodo do charco. Para logo porém foram cobrando alento; levada pela curiosidade, uma sobe à tona d’água, levanta a cabeça e põe-se a admirar o seu rei. Imita a outra, e outra, e todas. E tomam ânimo, e aproximam-se nadando; vendo que o rei nem se movia, põem do lado toda a timidez, e começam a saltar sobre a inerte majestade.
Não era isso que queriam as rãs; ei-las de novo ante o trono de Júpiter, queixosas do logro que lhes havia pregado. Já que por bom e manso vos não serve o rei que vos dei ides ficar satisfeitas, disse o deus, cansado desta tão louca importunação. E deu-lhes a cobra, a qual de hora em hora abria a goela, e engolia alguma de suas súditas.
MORALIDADE: Contentemo-nos com o que temos; não queiramos novidades.

A mosca e a carroça


Ia uma mula puxando uma carroça pesadíssima; a estrada era pedregosa e cheia de buracos, e a mula suava redobrando de esforço, e tendo como pagamento as chicotadas do carroceiro. Uma mosca que estava então sobre a cabeça do animal, compadeceu-se dele e disse-lhe ao ouvido: “Pobrezinho, vou aliviar o meu peso, então você poderá puxar a carroça”.  Dito isso, voou.
MORALIDADE: Quanta gente, tendo a importância da mosca, tem igual presunção?

O cão e a máscara


Procurando um osso para roer, um cão encontrou uma máscara: era formosíssima, e de cores tanto belas quanto animadas; o cão farejou-a, e reconhecendo o que era, desviou-se com desdém e pensou: a cabeça é decerto bonita, mas não tem miolos.
MORALIDADE: Sobram neste mundo cabeças bonitas, porém desmioladas que só merecem desprezo.