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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O calvo e a mosca



Estava um calvo (careca) se refrescando à frente da porta de sua casa, olhando o movimento das pessoas, quando uma mosca importuna veio e, de contínuo, pousava-lhe na careca; o homem a açoitava com a mão; ela, porém, ligeira fugia,  mas depois voltava. Deste modo o calvo dava grandes tapas em si próprio, e a mosca ria-se a valer. “Vá-se embora”, disse o calvo; “esses tapas não me doem nem um tiquinho retorquiu a  mosca.  ah seu  pegar uma de vocês...”
MORALIDADE: Os importunos riem-se quando vêem malogrados os esforços das suas vitimas para se livrarem deles; basta, porém, que um desses esforços seja bem sucedido, para que paguem, junto, o novo e o velho.

A formiga e a mosca



 Era uma vez uma mosca e a formiga, altercavam (se debatiam, discutiam) sobre nobreza e fidalguia. Eu, sim, dizia a mosca, eu sou fidalga; vivo sem trabalhar, passeio todo o dia por onde quero, janto à mesa dos reis, entro nos templos, pouso nos lugares mais sagrados; as faces, o colo da dama mais formosa e recatada são meus tronos.
— É assim??, diz a formiga, e não te invejo; de toda a parte te enxotam por imunda, todos te praguejam por importuna, e mais vives em esterqueiras do que em palácios; mas quando vem o frio, o que é de ti? Ficas mirrada (encolhida) pelas paredes. Pois eu trabalho sempre, e sem descanso; aí a minha nobreza a ninguém importuna, e não há estaçâo que me ache desprovida.
MORALIDADE: Entre o parasita e o homem laborioso que com o suor do seu rosto ganha parco alimento, vai a diferença que separa a mosca da formiga. Trabalhai, como esta; conquistai pelo trabalho a doce independência, ganhareis, em duplo galardão a estima própria e a de todos.

A mosca e a carroça


Ia uma mula puxando uma carroça pesadíssima; a estrada era pedregosa e cheia de buracos, e a mula suava redobrando de esforço, e tendo como pagamento as chicotadas do carroceiro. Uma mosca que estava então sobre a cabeça do animal, compadeceu-se dele e disse-lhe ao ouvido: “Pobrezinho, vou aliviar o meu peso, então você poderá puxar a carroça”.  Dito isso, voou.
MORALIDADE: Quanta gente, tendo a importância da mosca, tem igual presunção?