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sábado, 10 de novembro de 2012

A gralha e a ovelha


Não tendo que fazer, quis a gralha divertir-se com uma ovelha, e pousando-lhe no pescoço, pôs-se a arrancar-lhe a lã e dar-lhe bicadas. “Emenda-te deste ruim costume”, disse-lhe impacientando-se a ovelha, “pois se por fraca te suporto, poderás fazer outro tanto com o cão, e ele te dará a paga.” — Não tenhas cuidado, respondeu a gralha; conheço o meu mundo; sei a quem devo respeitar, e de quem posso escarnecer.

MORALIDADE: Há entes que, humildes e até vis com quem deles se pode defender, são da mais insuportável arrogância com os que lhes parecem mais fracos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O gavião e o sabiá



 Já tendo crescidinhos os filhotes, a sabiá largou uma vez o ninho, para ir em busca de alimento. De volta notou próximo a seu ninho um gavião. A mãe-sabiá, espavorida com a presença da ave de rapina, não fugiu, pois era mãe, e procurou com súplicas salvar a prole (filhotes). “Bem,” disse o gavião, “não matarei teus filhos, se quiseres cantar alguma coisa que me divirta.” Impondo silêncio à sua aflição, cantou a sabiá as suas mais belas e mais suaves melodias. Não presta, não presta, bradava o gavião. É velha como minha avó esta música. Disse e ia devorar os filhinhos da sabiá; Nisso, atraído pelo canto da sabiá, chega um caçador, que mata o gavião.
MORALIDADE: O malvado que escarnece do desgraçado, acha sempre castigo imediato.

A mosca e a carroça


Ia uma mula puxando uma carroça pesadíssima; a estrada era pedregosa e cheia de buracos, e a mula suava redobrando de esforço, e tendo como pagamento as chicotadas do carroceiro. Uma mosca que estava então sobre a cabeça do animal, compadeceu-se dele e disse-lhe ao ouvido: “Pobrezinho, vou aliviar o meu peso, então você poderá puxar a carroça”.  Dito isso, voou.
MORALIDADE: Quanta gente, tendo a importância da mosca, tem igual presunção?