Um corvo achou um queijo, e com ele no bico foi pousar em uma árvore. Atraída pelo cheiro, veio uma raposa, e logo achou que seria ela quem deveria comer o queijo; mas como! a árvore era alta, e o corvo tem asas, e sabe voar. Recorreu pois a raposa às suas manhas: Bom dia, compadre - disse a raposa - quanto folgo de o ver assim belo e formoso. Certo entre as aves não há quem o iguale. Dizem que o rouxinol o excede, porque canta; pois eu afirmo que Vossa Excelência não canta porque não quer; se o quisesse, desbancaria a todos os rouxinóis. Ufano e com o ego inflado por se ver com tanta justiça apreciado, o corvo quis mostrar que também cantava, e logo abriu o bico; cai-lhe o queijo, a raposa o apanha, e safa-se dizendo:Adeus, compadre, aprenda a desconfiar das adulações, e não lhe ficará cara a lição pelo preço desse queijo.
MORALIDADE: Desconfie quando lhes elogiarem e gabarem; o adulador escarnece de vossa credulidade, e prepara-se para vos fazer pagar por bom preço os seus elogios.
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