Tinha um homem um cachorrinho e um burro. Toda a vez que voltava da rua, o cachorrinho lhe fazia festas, lhe saltava ao colo; e o senhor o afagava, dava-lhe docinhos, brincava com ele. O burro, vendo isso, mordia-se de inveja: assentou de si para si que, se fizesse o mesmo que o cachorrinho, seria tratado da mesma maneira. No dia seguinte, à hora em que seu dono costumava retornar, pôs-se à espreita (ficar sondando); e mal o vê entrar, começa a zurrar (relinchar de jumento), a saltar, encosta-lhe aos ombros as patas, quer lamber-lhe a cara. Espantado o senhor chama por socorro, a quem lhe acuda; chegam os empregados, e à custa de pancadas colocam o burro na estrebaria.
MORALIDADE: Nada assenta bem senão quando pela própria índole é inspirado: um burro a fazer meiguices faria rir as pedras. Cada qual para o que Deus o fez.
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