Uma porca gemia com dores de parir; chegou um lobo e ofereceu-lhe os seus préstimos, como insígne parteiro que declarava ser. Bem entendeu a porca o motivo do fingimento; dissimulando, porém, declarou que, acanhada e vergonhosa como era, pejava-se (tinha vergonha) de vê-lo ali, e pediu-lhe que se retirasse. Disse que voltasse daí a pouco para dar-lhe a ela e aos seus filhinhos os cuidados de sua arte. O lobo, supondo já que a presa era sua, retirou-se condescendente; mas a porca foi logo esconder-se em lugar seguro, em que o lobo não pudesse descobrir os seus filhotes.
MORALIDADE: Há perversos tão conhecidos que, embora se apresentem mansos e fagueiros, a ninguém conseguem iludir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário